quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Os Países com mais oportunidades de emprego

Brasil, Angola, Moçambique, Argélia e países nórdicos são os mercados que mais recrutam portugueses.
Países nórdicos, Brasil e Angola, mas também Argélia e Áustria. São estes os mercados que mais procuraram portugueses para recrutar. Engenheiros é a profissão mais procurada. Só no Brasil precisam de 290 mil engenheiros civis. Mas há procura de quase todas as profissões. Alemanha, Noruega e outras economias com elevado crescimento não conseguem formar pessoas ao ritmo suficiente para ocupar as vagas disponíveis. Por isso olham agora para os países do Sul da Europa onde a crise económica está a fazer disparar o desemprego.

Estes mercados assustam porque são do outro lado do mundo e, em termos culturais, estão a anos-luz de distância. Mas não deve descurar pensar em mercados como a China e a Índia onde há uma explosão de procura. No caso da China é importante começar a aprender a língua de uma economia que, se prevê que venha a ser, em breve, a maior do mundo.

Mas atenção não dê um salto no escuro. Se quer começar uma carreira internacional deve procurar as ofertas de emprego nos ‘sites oficiais'. Depois há que conseguir o maior número de informações sobre o país para onde pretende ir. No caso dos países europeus pode encontrar toda a informação sobre os países no site EURES. Depois pode optar por telefonar ao consulado se pretender mais informações.

Portugueses apreciados nos mercados internacionais
A verdade é que os trabalhadores portugueses são dos mais apreciados e requisitadas noutros países. São conhecidos como bons profissionais e por terem uma grande capacidade de adaptação cultural e facilidade em aprender línguas.

"Somos, por norma, pessoas com facilidade na aprendizagem de línguas, somos um povo com características de grande adaptabilidade e grande flexibilidade que hoje são requisitos importantes para esta integração noutros espaços e culturas", revelou, em entrevista ao Económico TV, Octávio Oliveira, presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Hoje já "não há empregos, nem países para a vida", revelava nessa entrevista.

Uma das palavras de ordem do IEFP, neste momento, é apostar no recrutamento internacional. Por isso, o instituto tem organizados dias de emprego por países que trazem a Portugal dezenas de empresas internacionais para recrutar. Iniciativas que têm tido grande sucesso em número de contratações.

Estimular o mercado de emprego europeu é uma das apostas da Comissão Europeia, uma vez que, na Europa, há 5,5 milhões de jovens à procura de emprego. Recentemente foi lançada a iniciativa "O teu primeiro emprego EURES", um projecto piloto que pretende ajudar os jovens a encontrar emprego noutros países da UE. Para já vai apoiar a mobilidade de cinco mil jovens que receberão apoio financeiro para procurar emprego no estrangeiro e para a respectiva candidatura ou formação. Pode encontrar mais informações sobre este programa em http://ec.europa.eu/social/yourfirsteuresjob.

Entrar nos mercados internacionais através de Portugal
Concorrer a lugares de empresas portuguesas, que têm uma forte implantação nos mercados internacionais, pode ser umas das formas de construir uma carreira internacional. Já que, muitas vezes, precisam de portugueses disponíveis para gerir as suas operações no estrangeiro.

Apostar em formações como um MBA ou uma pós-graduação que tenham experiências de formação em contexto trabalho noutros países, é outra das formas de começar uma carreira lá fora.

Brasil necessita de oito milhões
"O país onde os empregos correm atrás das pessoas." Esta foi a manchete escolhida por um diário de grande circulação do Estado de São Paulo para ilustrar a procura exponencial de quadros que se regista no país. Estima-se que, até 2015, as empresas brasileiras vão precisar de contratar cerca de oito milhões de pessoas, na sua maioria quadros qualificados. A aproximação do Mundial de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 transformaram o país num enorme estaleiro de obras. Engenheiros são os quadros mais procurados. Segundo um estudo da Ernst & Young Brasil, o país precisa contratar milhares de engenheiros. Só na engenharia civil há um défice de 290 mil quadros. Mas atenção: ainda há alguma dificuldade em reconhecer os diplomas das universidades portugueses. Os portugueses vão para o Brasil para ocupar, sobretudo, cargos directivos. Mas a lista dos estrangeiros que vai trabalhar para o Brasil é encabeçada pelos norte-americanos.

Noruega precisa de 16 mil engenheiros
Com um salário médio mensal bruto de quatro mil euros, a Noruega precisa de quadros de todas as profissões. Para trabalhar no sector petrolífero e do gás são precisos, fundamentalmente, engenheiros (o país necessita de 16 mil) que podem obter um salário que ronda os oito mil euros brutos. Mas há que deduzir uma carga fiscal que ronda os 35%. A boa notícia é que, no final do ano, o montante pago em impostos é devolvido, porque o país tem uma política generosa de deduções fiscais. Com uma taxa de desemprego que ronda os 2,6%, seis vezes menor que o valor registado em Portugal, a Noruega "precisa de quadros de todas as áreas, com excepção de marketing e economistas", explica Eli Skaug, do EURES Noruega, responsável pelo recrutamento em Portugal e Espanha. Para concorrer à maioria dos empregos basta dominar o inglês. Uma língua que todos falam no país e que já é o dialecto oficial na maioria das empresas de engenharia.

Alemanha pede mais de 400 mil empregos
Se dúvidas houvesse sobre o desespero que a Alemanha tem em encontrar os quadros de que precisa, a recente iniciativa do Governo alemão é esclarecedora. O Executivo decidiu criar uma página na Internet com todas as informações de que um estrangeiro necessita para trabalhar no país. Um "bem-vindo" em várias línguas, incluindo português e a frase "German ir a Warm welcome. Be part of it" é o convite que se encontra quando se clica em www.make-it-in-germany.com. Neste portal encontram-se milhares de oportunidades de emprego. A página apresenta ainda um guia de como candidatar-se aos lugares disponíveis. Só a página do instituto federal alemão de emprego tem mais de 400 mil empregos disponíveis. Também pode procurar oportunidades em www.jobs4.de, um site que disponibiliza vagas em empresas germânicas.

Empregos em Angola e Moçambique
Depois de Angola, Moçambique é talvez o novo mercado emergente que procura portugueses. Estima-se que nos próximos cinco anos deverão abrir cerca de oito mil novos empregos. Construção civil e tecnologias são os sectores com mais procura. E os portugueses que concorrem têm vantagens por causa da proximidade cultural e por falarem a mesma língua. Com uma taxa de crescimento anual de 7,7%, prevista pelo FMI até 2015, o país oferece boas perspectivas. Há "uma maior facilidade de adaptação/integração de profissionais portugueses em, contexto moçambicano (comparativamente ao contexto angolano), tanto por questões conjunturais políticas, como por ser um país com uma gestão mais ocidentalizada", revela Ana Cardoso, directora do Grupo Egor. Mas Angola ainda é uma possibilidade. O mercado procura engenheiros para a área da construção, petróleo e minérios e também directores da área de recursos humanos e recursos financeiros.

Caraíbas também têm oportunidades
Com apenas 24 anos, Ruben Bento está a trabalhar num dos melhores hotéis em Punta Cana, onde ocupa o lugar de supervisor-geral de bares, em colaboração com mais dois elementos. Gere as 50 pessoas que trabalham nos cinco bares do hotel. Tudo começou com uma licenciatura de Gestão Hoteleira na Escola Superior de Turismo e Tecnologia em Peniche. No segundo ano conseguiu uma bolsa para fazer o Erasmus em Barcelona. Após terminar o curso, optou por fazer uma pós-graduação em direcção de restaurantes e bares numa das melhores escolas europeias de hotelaria em Barcelona. No final tinha oito ofertas, entre estágios e emprego. Optou pelo Catalónia, um grupo espanhol onde já tinha feito estágio, que é um dos maiores da Península Ibérica (com sete hotéis nas Caraíbas e 50 em Espanha). Ruben Bento acredita que as Caraíbas são uma geografia onde há oportunidades de trabalho para os portugueses na área da hotelaria. Tirar uma formação em Espanha pode ser a porta de entrada para este mercado, uma vez que são os espanhóis que controlam a maior parte do turismo na zona.

In Económico

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